Não tenho vontade de transar

Estou sendo bem aberta ao vir aqui falar sobre esse assunto que ainda é bicho de sete cabeças para muitas mães, e espero que vocês sejam abertas em aceitar que isso é tão absurdamente comum, que existem terapeutas apenas para casos assim.  Que você não está sozinha, e que tudo pode não passar de simplesmente uma fase.

Quando meu filho mais velho tinha a mesma idade da minha caçula, de dois para três anos, eu passei por uma crise dessas. Queria fazer qualquer coisa, menos me deitar na mesma cama que o parceiro. Aumentava o tempo da minha menstruação e criava dores no corpo só de desculpa para não precisar transar.

Isso é o suficiente para estabelecer uma crise na maioria dos casamentos. Se depender de homem, sexo é todo dia, igual bater ponto no trabalho. Então quando a negação da mulher passa a ser recorrente, é normal observar que eles ficam irritadiços, as vezes procurando uma agulha no palheiro e começam a nos acusar de desleixo. Como se o fato de não termos desejo fosse culpa nossa. Como se não existisse uma série de fatores que contribuíssem para o estado de total falta de libido.

Comigo a situação voltou depois que tive a minha segunda filha. Se a vontade aparece duas vezes no mês é muito. Na verdade, sendo bem sincera, ela quase não aparece mais.

Pensei por várias vezes em buscar ajuda em relação a isso. Sou uma pessoa que tem ansiedade, síndrome do pânico e vários picos de depressão, e que pioraram nos últimos anos. Então junte a maternidade, que é a coisa mais cansativa que já experimentei na vida, com essas crises e tudo de bom começa a ruir como água entre as mãos.

Sabe o que acho engraçado? Que eu passe o dia na minha correria de trabalhar fora, de cuidar de casa, comida, tarefa das crianças, fardas, meus próprios trabalhos com o blog, com o livro, e que dificilmente meu parceiro levante da cama e largue o celular para me ajudar quando chega pela noite, e ainda se chateia quando pego no sono depois que as crianças dormem e que não tenha disposição para transar. Sério? Sério mesmo?

Novamente sendo sincera, o fato dele chutar os brinquedos das crianças invés de guardar antes de ir deitar não é estímulo nenhum para que eu queira alguma coisa. Pelo contrário, vai criando uma espécie de asco pela pessoa que está ao meu lado. Começo a questionar o que ele tem para eu gostar tanto dele se normalmente vejo mais defeitos do que méritos. E não tem coisa pior do que você viver ao lado de alguém sem saber o que os mantem em pé, além dos filhos.

Chegar cansado do trabalho não é motivo para não fazer nada. Eu chego cansada do trabalho e faço porque não tem como as coisas funcionarem com crianças se a gente não faz, mesmo que seja só um dia. Gente, já teve época de eu ter que limpar o bebê estando muito doente porque ele diz que não limpa cocô! Fico pensando se não coloquei na mordomia (e a resposta é sim), porque não é aceitável na minha cabeça que isso exista e que ainda consiga chamar de companheiro uma pessoa assim.

Ok, então vamos juntar o cansaço do dia ao estresse causado por esses casos familiares, que ainda que sejam pequenos na rotina, parecem grandes na cabeça de uma mãe exausta e que só quer ajuda, uma massagem no pé e carinho.

Então, mamãe, sua falta de libido não é única e uma coisa importante a se fazer é parar e pensar o que está acontecendo com sua vida de casal antes de criar uma teoria de que possivelmente virou frígida.

Estar cansada por ser mãe é altamente natural, mas seu parceiro entende e respeita isso? Ele te ajuda com os afazeres domésticos e com as crianças? Ele te dá um tempo quando você quer ficar apenas sozinha sem ficar emburrado pelos cantos porque você não quer transar? O diálogo de vocês é bom o suficiente para que você não precise criar desculpas para não transar? Então, meus parabéns! Acredito de verdade que o problema com a falta de desejo vá sumir rapidinho, porque não tem coisa para deixar a mulher mais feliz e segura na relação do que companheirismo.

Mas se você for da turma que respondeu negativo a todas as perguntas, puxa o banquinho e vem conversar comigo, porque isso destrói o psicológico de qualquer mulher, imagina uma que já esteja com a cabeça abalada. Que já seja a própria bomba relógio.

Talvez a primeira coisa a se fazer seja conversar com seu genecologista. Explicar essa falta de libido e perguntar se seria o caso de procurar ajuda psicológica ou de tomar algum medicamento (nunca tomei, mas vai que ajude). Pessoalmente acho que um psicólogo pode ser de muito mais utilidade nesses casos. Porque ele vai te ajudar a chegar na raiz da questão e eliminar os problemas de modo natural.

Contudo sugiro que antes de procurar ajuda de um, você faça essas perguntas que te fiz e reavalie sua vida como esposa e mãe. Pense se o problema é externo ou dentro de você. As vezes a gente acha que a culpa é nossa, somos por vezes acusadas disso, mas a vida simplesmente não está sendo legal. Para ser sincera – de novo – ela não costuma ser legal com quase ninguém.

Ser mãe é praticamente viver pendurada por uma corda muito fina e nem sempre tão forte. É inevitável que a gente derrape e caia com frequência. Nossos filhos são as redes de proteção que nos ajudam a levantar e tentar de novo. Porém tem momentos que o cansaço é tão grande, ou que estamos tão mal, que nos deitamos na rede e ficamos estáticas por muito tempo, sem vontade de viver e continuando apenas em modo automático. Como se você fosse o expectador da própria história, sentado em uma cadeira puída, vendo seus dias correr preto e branco em uma tela plana de 55 polegadas. Sim, sufoca! Ser mãe sufoca, e muito! Então quanto mais ajuda tiver, mais leve você fica para suportar seguir em cima da tal corda fina.

Portanto aprenda a pedir ajuda. Aprenda e dizer o que tem de errado com você, mesmo que isso vá magoar alguém ou esses sentimentos vão acabar implodindo dentro do seu corpo e levando toda a sua família junto. Para receber ajuda, você precisa aceitar que precisa dela. E não se sinta mal porque de repente você acordou sem vontade nenhuma por sexo, e isso vem se repetindo nos últimos tempos. Só reaja. Analise o problema e procure solução. E se quiser conversar, estamos aqui para isso.

Segue abaixo um material que achei interessante e que ajudou amigas minhas que passaram por situações semelhantes.

Casamento de Sucesso

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Um comentário em “Não tenho vontade de transar

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  1. Republicou isso em Théo Lernere comentado:
    Um depoimento muito bacana do blog miscelânea materna!

    A chegada de um filho muda muita coisa na vida de um casal: mudam os papéis, as tarefas, as emoções, os corpos e a dinâmica do casal.

    As diferenças de expectativas e necessidades de cada um, associadas à falta de comunicação podem levar a mágoas, desentendimentos e conflitos no relacionamento.

    O impacto disso é sentido na cama, que deixa de ser um lugar de encontro, prazer e relaxamento para se tornar um campo de batalha onde só há perdedores.

    Saber lidar com esse turbilhão de mudanças é um desafio para quase todas as pessoas que encaram o desafio da maternidade.

    Buscar apoio profissional em caso de necessidade é uma ótima alternativa, como sugere o texto do blog.

    Curtido por 1 pessoa

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